quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

INÍCIO

Os Diálogos


The Americanization of Emily ( Não podes comprar o meu amor) 1964
James Garner e Julie Andrews
Direção Arthur Hiller




NOTHING BUT THE TRUTH 2008
Kate Beckinsale - Matt Dillon - Alan Alda (MACH)

Uma jornalista recebe uma informação séria sobre a vida corrupta dum político.
Na sua recusa de contar a origem, vai presa para proteger a testemunha.

THE AMERICANIZATION OF EMILY ( NÃO PODES COMPRAR O MEU AMOR) 1964

The Americanization of Emily ( Não podes comprar o meu amor) 1964
James Garner e Julie Andrews
Direção Arthur Hiller

No YouTube
The Americanization of Emily ( Não podes comprar o meu amor) 1964

Olá, Emily.
Olá. Chegou para o chá.
Obrigado.
- Trouxe chocolates?
- Duas caixas de Hershey.
Isso é muito americano de você, Charlie.
Tinha que trazer uma pequena amostra de opulência.
Eu não quero.
Vocês ianques, não podem mostrar afeto sem comprar alguma coisa.
Não fique brava por isso. Pensei que gostavam de chocolates.
Gostamos! Mas o meu país está em guerra e podemos viver sem chocolates
no momento.
Não quero laranjas nem ovos nem sabão em pó.
Não quero saber quanto seria rentável namorar você, Charlie.
Não me americanize.

Esse é o meu pai.
Perdeu a perna na primeira guerra.
Ganhou a Cruz Victoria por isso.
Morreu num ataque aéreo uma semana depois que pintou este retrato.
Esse é meu irmão, aí. Tambem se chamava Charlie, a propósito.
Foi ferido durante o bombardeio alemão.
Se sacrificou para salvar o seu esquadrão.
Esse que está olhando agora é o meu marido.
Parece um aventureiro. Sim. Era bastante atrevido.
Era louca por ele. Morreu em Tobruk.
O resto são primos.
Dois deles ainda estão vivos.
Devo admitir que a família diminuiu de uma forma ou de outra.

Charlie, antes de ir ver a minha mãe, quero te dizer
que está um pouco louca.
Vai gostar dela. É muito engraçada.
Mas às vezes fala sem parar do meu pai e meu irmão
como se ainda fossem vivos.
Siga a corrente. Entende?

É claro.
Não quer minhas barras Hershey.
Acho que é desrespeitoso desfrutar desta guerra.

Nunca notei antes como satisfação sensual dar sofrimento às mulheres.

Não acho muito apropriado você dizer isso.

Não fico sentimental com a guerra. Não vejo nada nobre nas viúvas.

Está com ciúmes do meu marido. Gosto disso.

Mãe.
Trouxe chocolates, duas caixas cheias.
- Um verdadeiro tesouro.
- Eu as recusei.
- Com argumentos austeros.
- É uma presunçosa, Emily.
Fique com elas se quiser.

Vou comer uma mais tarde e guardarei o resto para o seu pai.

Deve ser o novo namorado de Emily. Nem se preocupou em nos apresentar.
Você deve ser a sua mãe.

Descobriu o meu ponto fraco. Qual a sua religião?

- Sou um covarde praticante.
- É muito fervoroso da sua parte.
Devia saber que vocês dois se dariam muito bem.

É tão louco quanto ela, Charlie.

Antes da guerra, era assistente de gerência num hotel diplomático
em Washington.

O que fez você dizer isso?
Meu Deus, me sinto como Alice na festa do chá.
Vai nos contar alguma experiência religiosa?

Sim. Meu trabalho como assistente gerencial era corrigir os problemas
de muitas grandes figuras da história que tinham missões
importantes.

Que problemas exatamente?
Em geral, encontros com garotas,  mas os gostos variavam, claro.
Claro.
É um trabalho útil, especialmente em tempos de guerra.
Me ofereceram várias comissões no Exército e na Marinha.
Esta que tenho agora. O Almirante Jessup quis
que me juntasse ao seu pessoal
mas eu sempre tive vergonha do meu trabalho no hotel
e queria fazer algo redentor.

A guerra é a única oportunidade do homem para fazer algo redentor.
- Por isso é tão atraente.
- É muito altruísta, eu concordo.

De qualquer maneira, recusei a oferta do Almirante Jessup
e me alistei como aspirante na marinha.
Até me postulei para o serviço de combate.
Minha esposa, aparentemente uma mulher perfeitamente sensata
me incentivou nesta decisão estúpida.
Sete meses depois, me achei invadindo as ilhas Salomão.

Aí me vi capotando nos bancos de areia de Guadalcanal.
Me ocorreu que um homem podia morrer fazendo este tipo de coisa.
O fato é que a maioria dos homens ao meu lado gritavam de dor
e morriam como moscas.
Eram homens valentes aqueles que morriam ali.

Em tempos de paz, eram normais, covardes dignos
temerosos de suas esposas e de seus chefes
que tinham pânico com o passar do tempo.

Mas a guerra os tinha endurecido.
Tinham sido homens mesquinhos.
Agora eram homens abnegados.
Tinham sido egoístas.
Agora eram generosos.
A guerra não é o inferno.
O homem na sua glória.
A máxima ética possível.

Esqueça isso. E quanto a sua esposa?

Naquela noite, me sentei na selva de Guadalcanal
esperando ser morto e todo molhado.
Foi lá que tive minha deslumbrante revelação.
Descobri que era um covarde.
Essa é a minha nova religião.
E eu sou um grande crente.

A covardia vai salvar o mundo.
Não é a guerra insensata, sabe?
É a ética em torno dela.
Nem a avareza nem a ambição criam guerras.
É a bondade.
As guerras são sempre pelas melhores razões
de libertação ou destino manifesto
sempre contra a tirania e para o bem da humanidade.

Até agora, conseguimos destruir cerca de 10.000.000 de vidas
em prol da humanidade.
Na outra guerra, irão destruir a humanidade
para preservar sua maldita dignidade.

A guerra não é anti-natural. A virtude é.
Enquanto a coragem for uma virtude, continuará havendo soldados.
Por isso eu prego a covardia.
Todos serão salvos graças a ela.
Isso foi exultante, Capitão. Absolutamente ocultista.

Esqueça a metafísica, Capitão. Voltamos para a sua esposa.
Não preciso dizer que na primeira noite escrevi para o Almirante
Jessup e disse:
"Pelo amor de Deus, me tire daqui".

Duas semanas depois, fui transferido para Washington novamente.
Corri para casa para ver a minha esposa

- E a encontrou com outro homem.
- Não, por Deus.
Minha esposa, que tinha me enganado antes da guerra
mais do que posso imaginar estava agora apreciando
ser fiel a mim.
Se enfureceu comigo por estar de volta.
Já não tinha nenhuma razão para ser virtuosa.

Iniciou o processo do divórcio argumentando diferenças religiosas.
Eu era pró-conservacionista
e ela uma grande  sentimentalista anglicana.
É um legítimo alvo, conforme vejo.

Sempre depois de cada guerra  descobrem que foi desnecessária
e tenho certeza que os generaisescreverão livros sobre
os erros dos outros
e os estadistas publicarão os seus diários

e demonstrarão, sem sombra de dúvida
que a guerra poderia ter sido evitada desde o início.
O resto de nós, é claro terá que curar os feridos
e enterrar os mortos.

Não confio em gente que critica
a guerra com frieza, Sra. Barham.
São os generais com o recorde mais mortal
os primeiros em gritar o inferno que é a guerra.

São sempre as viúvas que lideram os desfiles do Dia da Memória.

Isso foi cruel, Charlie, e muito rude.

Não acabarão as guerra, Sra. Barham,
culpando os ministros ou generais
ou os imperialistas belicosos ou todos os outros sábios banais.

Nós construímos estátuas para esses generais
e colocamos seus nomes nas avenidas.

Convertemos em heróis os nossos mortos

e em santuários os campos de batalha.

As viúvas usam suas roupas de luto como freiras, Sra. Barham
e perpetuam a guerra, ao exaltar o seu sacrifício.

Meu irmão morreu em Anzio.

Não sabia disso, Charlie.

Sim. Uma morte mais de um soldado,
sem nenhum tipo de heroísmo.
Enterraram os pedaços que acharam dele.
Mas minha mãe insiste que foi uma morte épica para se orgulhar.

Está sendo muito duro com sua mãe.

É um engano inofensivo na minha opinião.

Não, Sra. Barham.

Não. Agora o meu outro irmão não vê a hora de ter idade
para se alistar.

- Isso vai ser em setembro.
- Meu Deus.

Talvez os ministros e generais nos empurrem para a guerra, Sra. Barham

o mínimo que podemos fazer é resistir honrar essa instituição.
O que conseguiu a minha mãe dizendo que a coragem era digna de admiração?
Vive constantemente sedada e com pânico de acordar uma manhã
e descobrir que seu último filho se foi por ser corajoso.
Não acho que fui cruel ou rude.
Você acha, Sra. Barham?

Não.

É melhor você ir, Emily, se tem que trabalhar.

Cumprimente o papai por mim.
Seu pai morreu num ataque aéreo
e seu irmão morreu com coragem, mas em vão, em dezembro de 1940.

- Segui esta farsa por muito tempo.

- Mamãe.

Não, vai.
Por favor, quero ficar só.

Estou falando sério.

Você é uma boa pessoa, Capitão.
Espero vê-lo novamente.

Obrigado, senhora. Será um prazer.



NOTHING BUT THE TRUTH - O PODER DO GOVERNO E O POVO

Lembra bem o Brasil.
NOTHING BUT THE TRUTH 2008
Kate Beckinsale - Matt Dillon - Alan Alda (MACH)

Uma jornalista recebe uma informação séria sobre a vida corrupta dum político.
Na sua recusa de contar a origem, vai presa para proteger a testemunha.

No YouTube
https://dialogosdocinema.blogspot.com.br/
Nothing but the truth - O Poder do governo e o povo 2008



O Diálogo


É uma ótima notícia. Aceitaram o seu caso. Vai haver uma audiência especial. DIA 355 O próximo caso desta manhã é o de Armstrong. Ouviremos primeiro o Sr. Burnside. Se me permitem, senhores da Corte em 1972, no caso Branzburg contra Hayes esta Corte decidiu contra o direito de um jornalista de reter o nome de sua fonte diante do Grande Júri. E deu o poder ao governo de prender os jornalistas que o fizessem. Foi uma decisão de 5 a 4. Quase um empate. Em sua réplica, o Juiz Steward disse Com o passar dos anos o poder do governo se tornará cada vez maior. Aqueles que estão no poder, quaisquer que sejam as suas políticas só querem se perpetuar e o povo é a vítima." Bom, os anos passaram. E esse poder cresceu. A Sra. Armstrong poderia ceder às exigências do Governo. Poderia ter abandonado seu compromisso de confidencialidade. Poderia ter ido para casa. Mas se o fizesse nenhuma fonte jamais voltaria a falar com ela e nenhuma fonte falaria com o seu jornal e então, amanhã, quando prendermos jornalistas de outros jornais tornaremos irrelevantes essas publicações também. E isso tornaria a Primeira Emenda irrelevante. E então, como saberemos se um presidente encobriu crimes? Ou se um oficial do Exército torturou alguém? Nossa nação não poderá fazer com que os que estão no poder sejam responsabilizados perante aqueles que governam. E qual é a natureza de um governo quando não tem medo de ter de prestar contas? Devemos temer essa perspectiva. Prender jornalistas é para outros países. É para países com medo dos seus cidadãos não para países que os protegem. Há algum tempo comecei a sentir a pressão humana pessoal em Rachel Armstrong. E disse a ela que estava ali para representá-la e não para representar um princípio. E só quando a conheci é que me dei conta que, para uma grande pessoa não há diferença entre seus princípios e a pessoa.